quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Astronomia: a ciência que ainda aguarda muitas descobertas


Aos olhos de muitos, a astronomia é a mais romântica das ciências: envolve observação de astros no céu, mapas gigantescos e até um certo misticismo. Mas essas características ficaram para trás há muitos séculos.

Hoje, a astronomia é uma ciência tão complexa e informatizada quanto qualquer outra. Prova disso é a forte base em física do curso de graduação do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, um dos três cursos oferecidos em todo País — os outros estão nas Universidades Federais do Rio de Janeiro e de Sergipe.

Criado em 2009, o Bacharelado em Astronomia da USP possui praticamente a mesma grade do curso da graduação em Física, mas com matérias específicas de astronomia. Dessa forma, é essencial que o estudante tenha facilidade com a área de exatas, como física, matemática e até conhecimento em computação.

Estação de observação remota do IAG – SOAR (telescópio). Foto: Cecília Bastos/USP Imagem

“Antes da criação do curso, os alunos que queriam seguir carreira em astronomia faziam a graduação em física e só tinham contato mais direto com a astronomia durante a pós-graduação”, conta Jane Gregório Hetem, professora do IAG e coordenadora da graduação em Astronomia. “Com esse curso, os alunos já têm base em astronomia e chegam mais preparados para a pós-graduação, certos do que querem”.

E não são poucos os que se interessam pela carreira. No processo de seleção da USP em 2017, 21 candidatos concorreram a uma vaga no curso pela Fuvest. Também foram disponibilizadas duas vagas via Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação. No total, Astronomia possui 20 vagas. “Se formarmos mais astrônomos do que isso, talvez não haja espaço no mercado para suprir”, justifica a professora.

Mercado de atuação

Há basicamente três caminhos no mercado de trabalho para um astrônomo: a pesquisa, a divulgação científica e a instrumentação. A forte base em física e matemática do curso também possibilita que o estudante migre para áreas de exatas correlatas, como física médica e finanças.

A pesquisa é a carreira escolhida pela maioria dos astrônomos. Natalia Del Coco e Henrique Volpato são exemplos. No início de julho, eles defenderam o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e, no próximo semestre, ingressarão no mestrado com projetos relacionados às áreas da astronomia que mais os interessam. 

Nas paredes do IAG, informações sobre o Universo – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Natalia é fascinada por galáxias e Henrique, por instrumentos. Descobriram suas vocações com projetos de iniciação científica, muito comuns na graduação. “O curso de Astronomia é voltado para a continuidade da formação acadêmica”, diz Natalia. “Então, quando entramos, já somos incentivados a fazer tutoriais científicos [uma espécie de pré-iniciação científica]. Os professores fazem reuniões conosco e indicam leituras”.

Além da pesquisa, o astrônomo pode trabalhar com divulgação científica em museus, jornais e revistas. Também é desejado ter o gosto por viagens e por falar em público, já que a vida de um pesquisador — carreira seguida pela maioria dos estudantes de astronomia — é divulgar suas descobertas.

Infraestrutura e oportunidades na graduação


Henrique sabia desde o começo que tinha uma queda por engenharia. A área mais próxima e prática disso dentro da astronomia é a instrumentação, tema que o levou para um intercâmbio de três meses na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. “No IAG não havia um grupo de estudos de instrumentação, mas há uma professora que iniciou um projeto comigo. Ela me ajudou a ir para o intercâmbio e começar a estudar essa parte, que eu nunca tive contato”, diz Henrique.

Estação de observação remota do IAG – SOAR (telescópio) – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Seu intercâmbio resultou em estudos sobre equipamentos dos laboratórios da estação onde ficou, como a caracterização dos espelhos do instrumento FRIDA. Além de oportunidades de intercâmbio, o instituto conta com uma empresa júnior de astronomia gerida por alunos, da qual Natalia fez parte. A entidade presta serviços como análise de dados e planejamento de eventos e cursos para a área.

Além das atividades extracurriculares, o IAG também possui laboratórios de astroinformática e de observação remota. O primeiro inclui três clusters de computadores capazes de fazer simulações matemáticas e o segundo mantém os alunos e pesquisadores em contato com o telescópio SOAR (Southern Astrophysical Research Telescope), localizado nos Andes chilenos.


Por que fazer astronomia?

Jane Gregório-Hetem, professora do IAG – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A perspectiva de fazer descobertas é um grande atrativo para seguir na área. A professora Jane, no entanto, avisa: “é muito gratificante, mas não vem rápido e demanda muito estudo”. “As pessoas não precisam deixar de ver a astronomia como uma ciência romântica, porque ela é fascinante, mas precisam estar cientes de que não é só isso.”

“O curso é difícil, não é aquilo que a gente vê na TV”, reitera Natalia. “Mas, ao mesmo tempo, é extremamente emocionante e desafiador, porque você está estudando o limite do conhecimento, aquilo que as pessoas ainda não descobriram”.

“Todo o dia você vai ser desafiado e vai pensar em uma coisa nova. É isso que me fisgou para continuar a carreira”, diz Henrique. Como a docente diz, “outra parte bonita da profissão é que você vai estar sempre aprendendo, sempre procurando mais”.

Além da habilidade com exatas, Jane reitera que não deve haver outros obstáculos para se interessar pela profissão. “Minha tia dizia que eu nunca entraria na USP, porque era pobre, mas a gente tem que combater esse tipo de discurso”.


Quer conhecer mais sobre o curso?


O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP está localizado no campus Cidade Universitária, na cidade de São Paulo e ele oferece:
cursos para a comunidade
visitas monitoradas para alunos conhecer os cursos de graduação
uma seção de perguntas e respostas frequentes sobre a carreira de astrônomo e astros

Formas de ingresso

Bacharelado em Astronomia
Período: Diurno
Vagas: 20
Fuvest: 18
Sisu: 2 (modalidade escola pública)

Vestibular organizado pela Fuvest: inscrição de 21 de agosto a 11 de setembro, neste site.
Sisu: as inscrições para seleção de 2018 ainda não foram abertas, mas acompanhe pelo site do MEC.





Fonte: http://jornal.usp.br    Por Larissa Lopes 
Painel do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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