sábado, 5 de agosto de 2017

Dinossauro bem preservado descoberto no Canadá ganha nome e história

Esta fotografia obtida em 2 de agosto de 2017 mostra o bem preservado Borealopelta markmitchelli, de 110 milhões de anos, exposto no Royal Tyrrell Museum of Palaeontology em Drumheller, no Canadá.
Um dinossauro extraordinariamente bem conservado de 110 milhões de anos encontrado no Canadá agora tem um nome e evidências de um passado problemático, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira.

Com a pele e as escamas fossilizadas, a criatura que lembra um dragão é na verdade um novo tipo de nodossauro, batizado de Borealopelta markmitchelli, em homenagem ao técnico de museu Mark Mitchell, que passou mais de 7.000 horas retirando cuidadosamente as pedras de todo o espécime.

O estudo publicado na revista Current Biology o descreveu como "o dinossauro com uma couraça protetora mais bem preservado já encontrado, e um dos melhores espécimes de dinossauro do mundo".

A criatura de 5,5 metros de comprimento foi descoberta em 2011 por um operador de máquinas de mineração chamado Shawn Funk, que estava trabalhando na mina Suncor Millennium em Alberta.

O animal inteiro pesaria mais de 1.300 kg, estimam os pesquisadores. A parte recuperada abrange do focinho até os quadris do dinossauro.

Ao contrário da maioria dos espécimes de dinossauro, que consistem em esqueletos ou fragmentos ósseos, este é tridimensional e está coberto com uma pele escamosa preservada.

"Se você olhar de soslaio, quase poderia acreditar que ele está dormindo", disse o autor principal do estudo, Caleb Brown, cientista do Museu Royal Tyrrell, onde o exemplar está exposto.

"Ele ficará na história da ciência como um dos espécimes de dinossauro mais bonitos e melhor preservados - a Mona Lisa dos dinossauros", comparou.

- Luta para sobreviver -

Ao estudar a sua pele, os pesquisadores descobriram que este animal herbívoro, embora estivesse coberto com uma couraça e se assemelhasse a um tanque ambulante, provavelmente enfrentava uma ameaça significativa de dinossauros carnívoros.

Essa conclusão se deve a que esse nodossauro empregava uma técnica de camuflagem conhecida como contrassombreamento, que também é usada por muitos animais modernos.

Os pesquisadores usaram análises químicas de compostos orgânicos nas escamas do dinossauro para determinar o padrão de pigmentação desse novo gênero e espécie de dinossauro, o que mostrou que ele tinha a pele pigmentada marrom-avermelhada com contrassombreamento pelo corpo.

Isso pode tê-lo ajudado a se misturar com o meio ambiente quando abordado por um predador mais alto, dizem os pesquisadores.

Mas a maioria dos animais contemporâneos que contam com contrassombreamento - cervos, zebras ou tatus, por exemplo - são muito menores e mais vulneráveis ​​como presas, o que indica que esse nodossauro enfrentava uma verdadeira luta para sobreviver.

"A forte predação em um dinossauro maciço e fortemente blindado ilustra o quão perigoso os predadores de dinossauros do Cretáceo devem ter sido", disse Brown.

Os cientistas continuam estudando o animal em busca de pistas sobre a sua vida, incluindo a análise de seus conteúdos do intestino preservados para descobrir o que ele comeu em sua última refeição.

Eles acreditam que, quando o dinossauro morreu, caiu em um rio e foi arrastado para o mar, onde afundou de costas até o leito oceânico.

Naquela época, Alberta era tão quente quanto o sul da Flórida é hoje, e os rios e os oceanos provavelmente se estendiam mais para o interior do que agora.

O dinossauro foi revelado ao público pela primeira vez em maio, mas ainda não tinha um nome formal.





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